Esse post dá início a um marcador novo, êêê! Ele se chama "Playlist" e é onde vou compartilhar as minhas músicas do momento. Muitas delas vocês já vão conhecer há tempos, outras vão ser o lançamento do lançamento, ou algo que vocês já ouviram mas não prestaram muita atenção.
E para começar, uma música e um clip que me fizeram morrer de amores hoje. A banda eu já conhecia, a música não. E olha que é de 2010, hein? Segue:
Já te fiz muita canção, são quatro, ou cinco, ou seis, ou mais;
eu sei demais que tá demais,
eu chego com o violão, você só tá querendo paz;
você desvia pra cozinha e eu vou cantando atrás...
A música-título desse texto é da linda da Clarice Falcão que interpreta, toca e canta lindamente no vídeo acima. Adoro as músicas dela, são lindas, divertidas e ela é uma fofa.
Mas vamos discutir sobre o tema? Na música, Clarice afirma uma coisa que muitas de nós já fizemos, ainda fazemos ou vamos fazer: abrir mão de outros temas para focar unicamente "nele". Quem nunca, né, gente?
É aquilo: começamos a namorar, tudo lindo, cheio de cor, brilho e luz, quando nos damos conta só conseguimos pensar no dito-cujo. E tudo lembra a ele, não é mesmo? Um programa de tv, uma placa na rua, livros, textos e, obviamente, músicas. Ah, o amor...
Tem alguém cega de amor aí?
É aquela famosa fase do, segundo o Rei Roberto, "só vou se você for". Nada tem graça nem faz sentido se ele não estiver conosco. E isso é lindo, né? Na nossa concepção momentânea é. Toda vez que ele solta um "poxa, vamos, se você não for não vai ter graça" a gente se derrete mais um pouquinho feito manteiga no sol.
Mas vamos analisar mais friamente que é para isso que estamos aqui: a fase passa. Os defeitos aparecem e a gente passa a aceitá-los, a paixão esfria e vira amor, a gente passa a querer um tempinho só para a gente, ou um programa diferente, seja com as amigas, os amigos, o pessoal da faculdade ou do trabalho e... cadê esse povo? Ah sim, lembrei: nós os deixamos para trás naquele início grudento.
Forever alone
Partindo do princípio que as suas amigas sejam iguais às minhas e que vocês sejam iguais a mim, essa é a fase em que temos muuuuito trabalho para recuperar o que perdemos. Amigas costumam ser ciumentas e com razão, já cansaram de nos chamar para mil coisas até que desistiram.
A meu ver, precisamos achar um meio-termo.
Quando estamos solteiras, sempre temos aquele grupo de amigas solteiríssimas que topam toda e qualquer noitada e estão com a gente de sexta a domingo, às vezes até no meio da semana. Elas que enchem nosso copo, enxugam nossas lágrimas, brindam noite após noite com a gente e, principalmente, nos levam para casa.
Party rock!
Só que, às vezes, a gente começa a namorar e elas não. E elas continuam no mesmo pique de festas enquanto tudo o que a gente quer é um cineminha com o gato. Como proceder? Simples: não existe criatura, por mais caçadora que seja, que saia de segunda a segunda. Vai ter sempre uma tarde/noite livre para você se você se dispuser a estar com ela. E, se você não curte mais boate ou barzinho sem o namorado, isso depende muito do que vocês estabeleceram como regras no namoro de vocês, sempre se pode combinar um lanchinho, um filme na sua casa ou na dela, um cinema, um passeio ou, se a distância realmente for muita, uma mensagem ou um e-mail. A minha melhor amiga morou anos nos Estados Unidos, voltou e continuamos melhores amigas apesar de eu sempre ter namorado e ela ser solteira convicta. Nos falávamos por telefone quando dava e quando não dava era internet mesmo. Sei de tudo sobre a vida dela e ela sabe de tudo sobre a minha. Fica a dica: distância e realidades diferentes não são desculpas para afastar quem se gosta. Claro que há fases e fases, mas temos que saber lidar com isso para não perder a amizade. Enfim, colocar os papos em dia nunca é demais e vai fazer com que a sua amiga se sinta menos distante de você e mais por dentro do que está acontecendo com você agora que você não é mais solteira.
A outra dica é: tem sempre aquelas "amigas" que só reclamam de você ter se afastado. Só por ciúme infantil mesmo, porque elas também se afastaram de você quando você começou a namorar. É aquele clássico "nossa, tá sumida" sendo que a criatura tem seu telefone, seu Facebook, seu Twitter, seu e-mail e nunca deu um pio em lugar nenhum desde que você trocou seu status para "em um relacionamento sério" no Facebook. Aí vale analisar se vale a pena correr atrás. Tem amigas ciumentas que valem a pena, tem outras que só são mimadas e gostam de ser o centro das atenções. Tanto que nem chegaram a te procurar antes de você "sumir", elas acabaram sumindo antes e depois fazem com que você se sinta culpada.
Tem mais: tentar incluir seu namorado sempre nos programas que eram para ser seus com suas amigas não é uma coisa positiva. As suas realidades com seu namorado e com suas amigas são duas coisas diferentes e nem se pretende que sejam iguais, tentar misturá-las pode fazer com que você perca sua individualidade da mesma forma. Fora que pode parecer forçado.
O ideal é tentar achar um meio-termo. Dormir de conchinha com o namorado, mas dar uma ligadinha para amiga no dia seguinte. Ir para a boate de mãos dadas, mas chamar suas amigas e (por que não?) os amigos dele para irem com vocês.
No final, se soubermos balancear, o que fica é o seguinte: seu amor do seu lado sem comprometer suas amigas por isso. E vice-e-versa.
"todos caminhos trilham pra a gente se ver todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu? (...) você passa, eu paro você faz, eu falo mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem não sei, mas sinto, uma força que embala tudo falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate..."
E naquele dia, naquela noite, estava ele ali parado com seu sorriso fitando a minha alma, despindo os meus desejos. Não me importava mais o que acontecia à minha volta. Aquele instante era meu. Aquela vontade era nossa. Delicadamente coloria cada pedaço do meu corpo. Tocando-me sem as mãos, falando comigo em silêncio, despindo-me com os olhos, devorando-me em pensamento. E eu, entregue. Com uma certeza: era dele.
Aquele homem me cativava, me trazia à tona toda vez que meus dilemas existenciais me colocavam em baixa. Era ele. E o melhor: ele não sabia disso.
Ele dormia comigo, acordava comigo. Desde sempre, desde o início. Era fantasioso e ao mesmo tempo excitante. Deitávamos e meticulosamente nosso corpo se encaixava. Como resistir?
Eu existia para ele e não precisava de post-its para lembrá-lo. Era torturante saber que eu estava tão presente nele. Nunca fora assim. Eu sempre me deixava perdida, esquecida num canto qualquer devorando as sobras de um relacionamento qualquer. Mas com ele era diferente. Era inédito.
Fitava seu rosto tentando decifrar o que não tinha resposta. Tentava colocar em palavras o que estava perfeito nas entrelinhas. E assim me acostumei com sua presença apenas à distância de uma respiração. Só sabia respirar o mesmo ar de um espaço encaixado entre nós dois.
Era doce dormir nos seus braços e saber que estava me acorrentando a perspectivas. Pensei muitas vezes em fugir, mas quando olhava seu sorriso, que teimosamente surgia depois de uma palavra ou gesto meu, desistia de qualquer plano de dominação mundial. Entregava o meu mundo sem alardes, sem diplomacia ou ordem de despejo. Simplesmente desistia de desistir.
Mesmo percebendo todo o meu embaraço desastrado de tentativas frustradas, ele fingia não entender e me dizia ao pé de ouvido: “vem cá, chega mais perto, me abraça”. Como resistir?
E no instante entre o som e o silêncio residem os sonhos e uma infinidade de palpitações. Residimos eu, ele e seus sorrisos. A certeza é só uma: isso tudo pode ser um sonho, mas desse sonho acordo toda manhã. Com um bom dia, um abraço e um cheiro no pescoço. Como resistir?
Apesar dos sorrisos marcarem-lhe o rosto, fracassos e lágrimas marcavam-lhe a alma. Mesmo assim continuava sua caminhada porque o importante era sentir, era ter aquele sentimento latejando, pulsando.
Emoções à flor da pele, toques que fazem estremecer, respiração ofegante. Isso a fazia sentir. Isso a fazia sonhar. Não era boa com realidades profundas, apenas com sonhos indiscutivelmente supérfluos: um sorriso, uma valsa, aqueles versos de encher qualquer olhar de admiração. Inocente criança num corpo de mulher.
Assim era seu mundo colorido, na inocência e necessidade de sentimentos urgentes. E se entregava com tenacidade. E se entregava com veracidade. Acreditava que, além do sentimento, aqueles corpos eram sólidos nas suas vontades, desejos, libido.
Aquilo era um romance, um enredo; amor eterno com intimidade. Todo amor é eterno, por que aquele não seria?
E quando ficou longe? Ficou travada na garganta a palavra "saudade". Orgulho? Medo? Uma interrogação, nenhuma resposta. Talvez um escudo, um caminhar, uma tentativa de seguir em frente sem lamentações.
Boas lembranças, somente boas, guardadas na memória e no coração que pesava de saudade. Saudade da pele, do cheiro, da palavra, do gosto. Fatos além da química, da física e até mesmo da língua portuguesa. Como expressá-los em palavras? Tarefa impossível. Saudade.
E quando tudo voltou ao normal, após o que pareceram séculos de colo, lágrimas e sensações ruins; o suspiro de alívio e o abraço de reencontro. É o que fica. Nesta ciranda poética de lembranças e esquecimentos só resta dizer: viver. Pulsar. Murmurar. Apaixonar. Desistir. Voltar atrás. Tocar. Amar. Entregar. Verbos que dariam uma boa prosa.
Escrever muitas vezes, talvez na maioria delas, não é arte, somente prazer. Escrever por prazer talvez seja também uma arte, porém a ação de fazê-lo nada mais é do que se interessar pelo que gosta e transformar um dom em hobby. Para mim é assim: transformar pensamentos em palavras e vice-e-versa, jogando-os no papel para fazer com que signifiquem alguma coisa.
E o que é "significar"? Algo que se torne explicável? Traduzível? Passível de ser entendido? Quem escreve por prazer tem mais uma característica: suas palavras só fazem sentido para uma pessoa, ela mesma. Isso não significa falar em códigos para que ninguém a leia ou entenda, nem se esforçar para que suas palavras sejam as mais confusas possíveis, trata-se somente de escrever com um órgão, apesar de o cérebro comandar o ato e a mão direita torná-lo realidade: com o coração.
Quem tem o dom das palavras não quer que a leiam, palpitem, se interessem ou deixem de se interessar. Quem escreve apenas o faz, sem maiores pretensões. E, mesmo que tente fugir de fazê-lo, não adianta, um dia o dedinho coça e... olha lá ela de novo com caderno e caneta na mão!