"Eu quero andar de mãos dadas com quem sabe que entrelaçar os dedos é mais do que um simples ato que mantém mãos unidas. É uma forma de trocar energia, de dizer: 'você não se enganou, eu estou aqui'. Porque, por mais que os obstáculos nos desafiem, o que realmente permanece costuma vir de quem não tem medo de ficar."
Fernanda Gaona
Porque hoje eu acordei assim, pensativa, analisadora e conclusiva.
Felicidade pra mim é acordar cedinho com o barulho de mensagem chegando. É sentir meu coração sorrir ao ler aquele “bom dia, meu amor”, que faz o meu dia ser bem mais bonito. Felicidade pra mim é ter alguém para compartilhar histórias, dividir momentos, contar segredos sem medo, sem receio. É saber que tem alguém ao meu lado, sempre. Que não somente se torna a minha força nos momentos difíceis, mas que comemora comigo os meus sorrisos, as minhas alegrias e as minhas conquistas como se fossem dele. Felicidade pra mim é ter em quem pensar. É ter com quem sonhar. É ter alguém que torna a minha vida muito mais doce, por existir, e por milhares de outros motivos. Felicidade pra mim é ver a vontade dele de ser mais, de se tornar melhor a cada dia por mim. E para mim. É ver que ele prefere a minha companhia mais do que qualquer outra no mundo. Que ele quer estar comigo a vida inteirinha, e diz que ainda é pouco. Felicidade pra mim é andar de mãos dadas. É ter um lar para o meu coração. É ser abrigo para o coração dele. É ter certeza do querer um “para sempre”, que dia após dia se faz verdade. Se torna real. Felicidade pra mim é receber uma ligação quando menos espero e ouvir do outro lado da linha um “eu te amo”. É estar ao lado, bem perto, e ouvir sussurrado um “você me faz feliz”. Felicidade pra mim é ser o mundo de alguém. É ver o quanto ele precisa de mim. Não por não conseguir viver sem, mas por achar a vida muito mais bonita quando junto à minha. É ver o quanto ele acha graça das minhas manias e aceita os meus defeitos. Felicidade pra mim é demonstrar um amor sem ter vergonha, sem me importar com o que os outros vão pensar. É não deixar de pensar em mim nem nele, mas pensar em nós dois como um só. Felicidade pra mim é querer uma só pessoa ao meu lado todos os dias da minha vida. E saber que o querer dele é tão grande quanto o meu. Felicidade pra mim é amar. Felicidade pra mim é amor. Felicidade, pra mim, é toda uma vida ao lado do Rodrigo Mazzeo.
Quanto mais o tempo passa, mais tenho a certeza de que não existe isso de alguém que nos complete. Penso que cada um de nós, por si só, já é 100%, nada disso de "metades".
Toda vez que ouço alguém falar “fulano me completa” penso “antes de você conhecê-lo te faltava a parte de baixo ou a de cima?”. Certeza de que a pessoa, apaixonada e nas nuvens, responderia que sim; que antes de conhecer o fulano da vez se sentia sem chão, sem ar, sem coração, blábláblá.
Não julgo quem pensa de qualquer maneira que seja diferente da minha, mas acho, no mínimo, de uma autoestima absurdamente baixa. Quer dizer que para a pessoa se sentir completa ela precisa de outra? Como assim? Sozinha se sente faltando um pedaço?
Sinceramente? Conheço o amor, achei o amor da minha vida há quase um ano, sou muito feliz com ele, mas sei que grande parte disso se dá por tanto eu quanto ele termos passado por muitos momentos sozinhos que fizeram com que cada um conhecesse a si mesmo e aprendesse a se gostar do que é. Não nos apaixonamos procurando o que nos faltava, nos apaixonamos para somar. Eu + ele = nós, assim como 1 + 1 = 2. Não somos duas metades, somos dois inteiros.
Eu me conheço, me aceito, me tolero; sei das minhas falhas, meus acertos, minhas derrotas, minhas vitórias, onde sou fraca e onde sou forte. Aprendi comigo mesma a mudar e continuar a mesma, aprendi também a manter para sempre os pontos em mim que considero positivos e hoje posso encher a boca para dizer: eu me amo.
Já te fiz muita canção, são quatro, ou cinco, ou seis, ou mais;
eu sei demais que tá demais,
eu chego com o violão, você só tá querendo paz;
você desvia pra cozinha e eu vou cantando atrás...
A música-título desse texto é da linda da Clarice Falcão que interpreta, toca e canta lindamente no vídeo acima. Adoro as músicas dela, são lindas, divertidas e ela é uma fofa.
Mas vamos discutir sobre o tema? Na música, Clarice afirma uma coisa que muitas de nós já fizemos, ainda fazemos ou vamos fazer: abrir mão de outros temas para focar unicamente "nele". Quem nunca, né, gente?
É aquilo: começamos a namorar, tudo lindo, cheio de cor, brilho e luz, quando nos damos conta só conseguimos pensar no dito-cujo. E tudo lembra a ele, não é mesmo? Um programa de tv, uma placa na rua, livros, textos e, obviamente, músicas. Ah, o amor...
Tem alguém cega de amor aí?
É aquela famosa fase do, segundo o Rei Roberto, "só vou se você for". Nada tem graça nem faz sentido se ele não estiver conosco. E isso é lindo, né? Na nossa concepção momentânea é. Toda vez que ele solta um "poxa, vamos, se você não for não vai ter graça" a gente se derrete mais um pouquinho feito manteiga no sol.
Mas vamos analisar mais friamente que é para isso que estamos aqui: a fase passa. Os defeitos aparecem e a gente passa a aceitá-los, a paixão esfria e vira amor, a gente passa a querer um tempinho só para a gente, ou um programa diferente, seja com as amigas, os amigos, o pessoal da faculdade ou do trabalho e... cadê esse povo? Ah sim, lembrei: nós os deixamos para trás naquele início grudento.
Forever alone
Partindo do princípio que as suas amigas sejam iguais às minhas e que vocês sejam iguais a mim, essa é a fase em que temos muuuuito trabalho para recuperar o que perdemos. Amigas costumam ser ciumentas e com razão, já cansaram de nos chamar para mil coisas até que desistiram.
A meu ver, precisamos achar um meio-termo.
Quando estamos solteiras, sempre temos aquele grupo de amigas solteiríssimas que topam toda e qualquer noitada e estão com a gente de sexta a domingo, às vezes até no meio da semana. Elas que enchem nosso copo, enxugam nossas lágrimas, brindam noite após noite com a gente e, principalmente, nos levam para casa.
Party rock!
Só que, às vezes, a gente começa a namorar e elas não. E elas continuam no mesmo pique de festas enquanto tudo o que a gente quer é um cineminha com o gato. Como proceder? Simples: não existe criatura, por mais caçadora que seja, que saia de segunda a segunda. Vai ter sempre uma tarde/noite livre para você se você se dispuser a estar com ela. E, se você não curte mais boate ou barzinho sem o namorado, isso depende muito do que vocês estabeleceram como regras no namoro de vocês, sempre se pode combinar um lanchinho, um filme na sua casa ou na dela, um cinema, um passeio ou, se a distância realmente for muita, uma mensagem ou um e-mail. A minha melhor amiga morou anos nos Estados Unidos, voltou e continuamos melhores amigas apesar de eu sempre ter namorado e ela ser solteira convicta. Nos falávamos por telefone quando dava e quando não dava era internet mesmo. Sei de tudo sobre a vida dela e ela sabe de tudo sobre a minha. Fica a dica: distância e realidades diferentes não são desculpas para afastar quem se gosta. Claro que há fases e fases, mas temos que saber lidar com isso para não perder a amizade. Enfim, colocar os papos em dia nunca é demais e vai fazer com que a sua amiga se sinta menos distante de você e mais por dentro do que está acontecendo com você agora que você não é mais solteira.
A outra dica é: tem sempre aquelas "amigas" que só reclamam de você ter se afastado. Só por ciúme infantil mesmo, porque elas também se afastaram de você quando você começou a namorar. É aquele clássico "nossa, tá sumida" sendo que a criatura tem seu telefone, seu Facebook, seu Twitter, seu e-mail e nunca deu um pio em lugar nenhum desde que você trocou seu status para "em um relacionamento sério" no Facebook. Aí vale analisar se vale a pena correr atrás. Tem amigas ciumentas que valem a pena, tem outras que só são mimadas e gostam de ser o centro das atenções. Tanto que nem chegaram a te procurar antes de você "sumir", elas acabaram sumindo antes e depois fazem com que você se sinta culpada.
Tem mais: tentar incluir seu namorado sempre nos programas que eram para ser seus com suas amigas não é uma coisa positiva. As suas realidades com seu namorado e com suas amigas são duas coisas diferentes e nem se pretende que sejam iguais, tentar misturá-las pode fazer com que você perca sua individualidade da mesma forma. Fora que pode parecer forçado.
O ideal é tentar achar um meio-termo. Dormir de conchinha com o namorado, mas dar uma ligadinha para amiga no dia seguinte. Ir para a boate de mãos dadas, mas chamar suas amigas e (por que não?) os amigos dele para irem com vocês.
No final, se soubermos balancear, o que fica é o seguinte: seu amor do seu lado sem comprometer suas amigas por isso. E vice-e-versa.
"todos caminhos trilham pra a gente se ver todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu? (...) você passa, eu paro você faz, eu falo mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem não sei, mas sinto, uma força que embala tudo falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate..."
E naquele dia, naquela noite, estava ele ali parado com seu sorriso fitando a minha alma, despindo os meus desejos. Não me importava mais o que acontecia à minha volta. Aquele instante era meu. Aquela vontade era nossa. Delicadamente coloria cada pedaço do meu corpo. Tocando-me sem as mãos, falando comigo em silêncio, despindo-me com os olhos, devorando-me em pensamento. E eu, entregue. Com uma certeza: era dele.
Aquele homem me cativava, me trazia à tona toda vez que meus dilemas existenciais me colocavam em baixa. Era ele. E o melhor: ele não sabia disso.
Ele dormia comigo, acordava comigo. Desde sempre, desde o início. Era fantasioso e ao mesmo tempo excitante. Deitávamos e meticulosamente nosso corpo se encaixava. Como resistir?
Eu existia para ele e não precisava de post-its para lembrá-lo. Era torturante saber que eu estava tão presente nele. Nunca fora assim. Eu sempre me deixava perdida, esquecida num canto qualquer devorando as sobras de um relacionamento qualquer. Mas com ele era diferente. Era inédito.
Fitava seu rosto tentando decifrar o que não tinha resposta. Tentava colocar em palavras o que estava perfeito nas entrelinhas. E assim me acostumei com sua presença apenas à distância de uma respiração. Só sabia respirar o mesmo ar de um espaço encaixado entre nós dois.
Era doce dormir nos seus braços e saber que estava me acorrentando a perspectivas. Pensei muitas vezes em fugir, mas quando olhava seu sorriso, que teimosamente surgia depois de uma palavra ou gesto meu, desistia de qualquer plano de dominação mundial. Entregava o meu mundo sem alardes, sem diplomacia ou ordem de despejo. Simplesmente desistia de desistir.
Mesmo percebendo todo o meu embaraço desastrado de tentativas frustradas, ele fingia não entender e me dizia ao pé de ouvido: “vem cá, chega mais perto, me abraça”. Como resistir?
E no instante entre o som e o silêncio residem os sonhos e uma infinidade de palpitações. Residimos eu, ele e seus sorrisos. A certeza é só uma: isso tudo pode ser um sonho, mas desse sonho acordo toda manhã. Com um bom dia, um abraço e um cheiro no pescoço. Como resistir?
Apesar dos sorrisos marcarem-lhe o rosto, fracassos e lágrimas marcavam-lhe a alma. Mesmo assim continuava sua caminhada porque o importante era sentir, era ter aquele sentimento latejando, pulsando.
Emoções à flor da pele, toques que fazem estremecer, respiração ofegante. Isso a fazia sentir. Isso a fazia sonhar. Não era boa com realidades profundas, apenas com sonhos indiscutivelmente supérfluos: um sorriso, uma valsa, aqueles versos de encher qualquer olhar de admiração. Inocente criança num corpo de mulher.
Assim era seu mundo colorido, na inocência e necessidade de sentimentos urgentes. E se entregava com tenacidade. E se entregava com veracidade. Acreditava que, além do sentimento, aqueles corpos eram sólidos nas suas vontades, desejos, libido.
Aquilo era um romance, um enredo; amor eterno com intimidade. Todo amor é eterno, por que aquele não seria?
E quando ficou longe? Ficou travada na garganta a palavra "saudade". Orgulho? Medo? Uma interrogação, nenhuma resposta. Talvez um escudo, um caminhar, uma tentativa de seguir em frente sem lamentações.
Boas lembranças, somente boas, guardadas na memória e no coração que pesava de saudade. Saudade da pele, do cheiro, da palavra, do gosto. Fatos além da química, da física e até mesmo da língua portuguesa. Como expressá-los em palavras? Tarefa impossível. Saudade.
E quando tudo voltou ao normal, após o que pareceram séculos de colo, lágrimas e sensações ruins; o suspiro de alívio e o abraço de reencontro. É o que fica. Nesta ciranda poética de lembranças e esquecimentos só resta dizer: viver. Pulsar. Murmurar. Apaixonar. Desistir. Voltar atrás. Tocar. Amar. Entregar. Verbos que dariam uma boa prosa.
Escrever muitas vezes, talvez na maioria delas, não é arte, somente prazer. Escrever por prazer talvez seja também uma arte, porém a ação de fazê-lo nada mais é do que se interessar pelo que gosta e transformar um dom em hobby. Para mim é assim: transformar pensamentos em palavras e vice-e-versa, jogando-os no papel para fazer com que signifiquem alguma coisa.
E o que é "significar"? Algo que se torne explicável? Traduzível? Passível de ser entendido? Quem escreve por prazer tem mais uma característica: suas palavras só fazem sentido para uma pessoa, ela mesma. Isso não significa falar em códigos para que ninguém a leia ou entenda, nem se esforçar para que suas palavras sejam as mais confusas possíveis, trata-se somente de escrever com um órgão, apesar de o cérebro comandar o ato e a mão direita torná-lo realidade: com o coração.
Quem tem o dom das palavras não quer que a leiam, palpitem, se interessem ou deixem de se interessar. Quem escreve apenas o faz, sem maiores pretensões. E, mesmo que tente fugir de fazê-lo, não adianta, um dia o dedinho coça e... olha lá ela de novo com caderno e caneta na mão!
Procura-se. Urgente. Dou recompensa, pago um valor altíssimo. Sou prendada, tenho muitas qualidades. Preparo nossa cama, suas roupas, arrumo a casa e cozinho. Tudo bem, não cozinho. Um dos meus defeitos. Mas não faz assim tanta diferença, faz? Eu posso aprender. Não aprendi de preguiçosa que sou. Mais um defeito em um anúncio, isso não vai dar certo. Ou será que vai? Desculpa, sou insegura, indecisa. Tenho milhões de incertezas e mais um milhão de certezas também. Você precisa gostar de animais, tratar bem seus pais, se dar bem com crianças, me dar beijos de boa noite e preparar café antes de me dar bom dia. Precisa se calar quando eu contar histórias tristes, me abraçar logo depois, sorrir, me beijar. Não precisa se preocupar em dar conselhos. É que eu sou meio confusa, meio doida, meio... eu não precisava estar citando meus defeitos aqui, né? É, não precisava. É que sou sincera. Não do tipo "falo tudo o que penso", mas do tipo "sou capaz de te magoar". Me perdoa por ser capaz de te magoar. Tolice, estou pedindo perdão antecipadamente, por que sou assim? Ah, por favor, se você for taurino, leonino ou escorpiano, nem precisa acabar de ler. Nem canceriano porque de chorona já basto eu. Gostar das mesmas músicas, os mesmos filmes, os mesmos livros que eu não garante um amor eterno, mas vai fazer com que eu me interesse por você. Se você pensou "não gosto de livros", por favor feche este anúncio. Como pode uma pessoa não gostar de livros? (Se você concorda, já temos um assunto.) Gosto de sair, usar salto-alto, maquiagem e as roupas que eu bem entender. Gosto de ser beijada em público, de ouvir "eu te amo" quantas vezes forem possíveis, de ir ao cinema, de passear e de viajar. Acho que é só. Só isso tudo. Aguardo contato.
-Agora não, então quando? Quando você bem entender, quando essa situação se tornar ainda maior? Quando as coisas se encaminharem para o que inevitavelmente estão se encaminhando? O que você quer exatamente, me ver desistindo de você?
Ela agora estava em pé, na frente dele, que a encarava com a chave na mão.
-Eu só quero dormir.
-Quando é que você vai aprender a resolver as situações em que você se envolve? Sempre adiando, sempre deixando pra depois, sempre fingindo que as coisas estão bem, até que tudo explode e você some por 4 horas sem avisar onde foi. Eu quase fui embora, sabia? Minha bolsa está pronta - disse, apontando para o canto do sofá.
Ele olhou para a mala fechada. Ela não perdia essa mania de ser extremista.
-Não tenho mais forças para lutar por você, é só o que tenho para te dizer. - Ele não respondeu. Ela o fitou com inquietude, agora chorando. - Será que você pode dizer alguma coisa, qualquer coisa?
-Pode ir embora.
-Como assim "pode ir embora"?
-Não quero mais você aqui.
Colocou a chave na mesa, tirou o casaco, foi andando para seu quarto e ouviu os três últimos barulhos que a presença dela fariam perto dele: um soluço, as rodinhas da mala e a porta batendo.
De todas as faltas que uma pessoa pode sentir, a mais triste é a falta de um sentimento que nunca se teve. Como explicar, como descrever? Aquilo não faz parte da sua rotina, da sua realidade, você não conhece, só ouve falar. Mas sente falta, como dizer... Não, não sei explicar. Mas que faz falta, faz.
De todas as sensações ruins que conheço nesse mundo, a pior é arrependimento. Seja por algo que fez, seja por algo que deixou de fazer. Por falta de coragem de dizer "sim" ou "não", por falta ou excesso de atitude, por confiança de mais ou de menos.
-E se eu for embora? -Eu vou atrás.
-E se eu for mais rápida, estiver de tpm, enlouquecer, quiser fugir e você nunca mais me achar? -Eu te acho, pequena. Não importa como, eu te acho.
"if you close the door, the night could last forever,
leave the wineglass out and drink a toast to never..."
Sentou no único banco que restava. Um rapaz tinha acabado de levantar e ela correu, desastrada, esbarrando em malas e pessoas no caminho. Sentou, colocou o fone de ouvido. Fechou os olhos. O shuffle parece sempre querer lhe dizer alguma coisa, será que isso só acontece com ela? As músicas sempre fazem sentido. Nunca toca Coldplay em dias alegres ou Little Joy em dias tristes. Abriu os olhos. Observou a multidão que passava. As pessoas sempre passam, andam, correm. Pra onde? Pra quê? Suspirou fundo. Melancolia, sua velha amiga, sempre presente. Hoje não seria diferente. Hoje, terceiro dia desde o dia da decisão que tomou, acreditando que sua vida iria mudar pra sempre. Pra sempre? Mas como é exagerada, dramática, vê se se aquieta, menina. "Viva o hoje, que o ontem já foi e o amanhã ninguém sabe se vem", diria sua mãe. E adianta dizer? Não, não adianta. Ela é assim, exagerada, dramática, ansiosa, não adianta pedir que não vai se aquietar. Lembrou dela mesma, ali, três dias antes daquele. O sorriso dela, o sorriso dele, o reencontro, as inúmeras possibilidades. As vontades, os desejos, os sonhos. E o frio na barriga. O abraço apertado. O "você não faz ideia de como eu senti sua falta". E puff!, o pensamento se esvaiu. Abaixou a cabeça, trocou de música, limpou o cantinho do olho. Chorar no aeroporto fica feio, para com isso. Olhou pra frente e viu um casal discutindo. Sentiu inveja. Inveja? De gente discutindo? Desde quando, menina? Inveja dos dois ali. Inveja de todas as relações, de todos os sentimentos, de todas as sensações de verdade. Ali, os dois, discutindo, representando tudo o que um casal pode representar. Ele gritava, ela pedia pra ele falar baixo. Tão humanos, tão reais, tão casal. Sabe como? "Nos deseamos y hasta a veces sin motivo y sin razón, nos enojamos..." Nada mais casal do que brigar. Reconciliar. Se chatear, bater a porta, voltar atrás. Isso em relacionamentos de verdade. Não naqueles relacionamentos criados pela cabeça da gente, situações da cabeça da gente. Quase um amor virtual. "Mas você se entrega demais, para com isso!", dizem suas amigas. Mas ela não consegue. Não consegue, não adianta. Se apaixona, desapaixona, faz besteiras, toma decisões, se arrepende. E no meio disso tudo, já se entregou, já amou, desamou, sofreu. E de novo, e de novo, e de novo. Viu o casal que discutia se abraçando e se beijando. Sorriu um sorriso triste. Por tudo o que não foi e poderia ter sido, por tudo o que poderia ter sido e não foi. E levantou do banco, que a moça do alto-falante chamava pelo seu vôo. "Toma jeito, menina", pensou. Aquela cidade, nunca mais.
Vez ou outra eu gosto de provocar você. Faço charme, jogo indiretas, faço você me dizer coisas lindas que eu quero ouvir. Vez ou outra eu fico brava com você e com ou sem motivo eu me rendo, não aguento virar a cara. Vez ou outra eu fico triste e você vem me acolher me oferecendo suas palavras como conforto, seu coração protege o meu. Vez ou outra, quase sempre, compartilhamos mais do que momentos felizes. Ao todo, compartilhamos sonhos, compartilhamos nosso presente. Você comigo, eu com você. Não vez ou outra, mas sempre.
Eu gosto que você seja a última pessoa que fala comigo antes de dormir. Mas eu gosto mais ainda quando acordo de manhã e percebo que esqueci sobre o que conversamos na noite anterior. É como se você tivesse que me conquistar todas as manhãs e fazer dos meus dias, todos eles, o mais especial de todos. E, por incrível que pareça, você consegue.
Eu preciso dizer que você me faz bem. Que seus abraços são únicos. Que às vezes eu acordo no meio da madrugada e abro um sorriso ao lembrar que tenho você. Que agradeço à vida por ter colocado você no meu caminho. E que nada neste mundo me faz mais feliz do que estar com você.
"De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme, só olhando você, sem dizer nada, só olhando..."
Muito se discute sobre qual é a diferença entre amor e paixão, na poesia muitas vezes são usadas como sinônimos, mas no coração de quem já sentiu os dois a coisa é muito diferente. Estar apaixonada é êxtase total, parece que estamos em transe, quase lunáticos, em pouco tempo de torna uma doença, 24 horas de dependência e carência mútua, porque para ser completo tem que ser mútuo. Mas daí vem o amor, chegando de sua forma mais sorrateira, sentimento doce, que acalma o coração, coloca seus pés no chão e esquenta sua alma. Bom mesmo é quando levamos uma rasteira e percebemos que aquela louca paixão aos poucos vira um amor sereno, pois por mais calmo que esse amor seja sempre é surpreendido pelas pitadas de paixão, pois tudo sempre volta a sua origem e aparece para renovar o que já é bom. Agora que já falei do prazer do amor, quero falar de algo melhor e mais prazeroso que é ser amada, isso sim é algo extremamente excitante porque só quem é amada por completo sabe o que é, quem nunca foi não pode nem imaginar a intensidade, hoje não aceitaria em hipótese alguma ser amada pela metade, pois quem já provou jamais aceitará migalhas. Pelo menos é assim que me sinto...
É lindo, e é tão a cara dela que só vocês conhecendo podem entender. Ela é assim, linda. Minha melhor amiga, né? Não é à toa.
Postei o texto porque achei a cara do meu blog, é um fragmento de amor, ela mesma é um pedacinho de mim e o texto é (grande) parte do que eu já vivi, vivo e, canceriana que só eu, viverei pro resto da minha vida. Fiz um super-hiperlink pra falar o que penso sobre isso.
Não existe amor pela metade. Não existe quase-amor, amor-mais-ou-menos, será-que-é-amor. Existe amor. E se há a dúvida, não há amor.
E com o texto dela e as minhas palavras, vem uma promessa: eu, Nayla, a menina do Amor em Fragmentos, juro solenemente nunca, mas nunca mais nessa vida aceitar simplicidade de sentimento. Se é pra ser, que seja, se é pra acontecer, que aconteça, mas que haja a certeza, nunca a dúvida; é preferível se jogar e bater com a cabeça no fundo do que conviver com a incerteza do quase. Se é pra vir, que venha, mas que venha com a força toda que aqui não se aceita nada pela metade. Só inteiro.
Você vem? Diz que vem! Vem levar nós dois a sério, essa loucura sensata, esse paradoxo criado sei lá por quem que trouxe a gente até aqui. Vem, chega pertinho, se joga em nós dois, que tudo o que a gente não entende vai ter explicação lá na frente, e se não tiver a gente cria, a gente inventa, somos assim... Vem me fazer abrir meu sorriso mais sincero, me deixar com vergonha de ver o quanto você me olha, me derreter com suas palavras e me deixar sem ar. Vem me fazer morrer de rir te ouvindo falar mal da Summer, me indicar os melhores filmes, ouvir as músicas que eu te mostro e gostar delas, discordar do que eu falo só pra implicar, concordar só pra ser legal e ter a maior paciência do mundo com minhas crises de depressão, ciúme, raiva. Vem me aguentar assim, grude do jeito que eu sou. Vem me chamar de sua, me arrepiar com seus beijos, abraços, suspiros, carinhos... Vem, eu te escolhi, eu me joguei, eu fui. Você vem também?
agora, o cheiro áspero das flores leva-me os olhos por dentro de suas pétalas. eram assim teus cabelos; tuas pestanas eram assim, finas e curvas.
as pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo, tinham a mesma exalação de água secreta, de talos molhados, de pólen, de sepulcro e de ressurreição. e as borboletas sem voz dançavam assim veludosamente.
restituiu-te na minha memória, por dentro das flores! deixa virem teus olhos, como besouros de ônix, tua boca de malmequer orvalhado, e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios, com suas estrelas e cruzes, e muitas coisas tão estranhamente escritas nas suas nervuras nítidas de folha - e incompreensíveis, incompreensíveis.